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Vai fazer um mês que estou no meu tão desejado apartamento. Demorei pra achar mas ta aqui, no 16º andar, lindinho!
Morar sozinho é uma coisa de louco, literalmente. Eu na verdade me sinto dividindo o apartamento comigo mesma. As vezes saio correndo de casa, atrasada, nem arrumo a cama, deixo algumas peças de roupas jogadas, e quando eu volto de noite bem tarde, eu olho e penso: “Nossa!!! Quem deixou a casa desse jeito, senhor!”, ou então eu olho pra pia e digo “Gente, quanto copo, como assim????”. Pois é….
Percebi que há um certo “modelo” de comportamento pré-estabelecido entre os moradores do prédio. No elevador, fala-se “Bom dia”. Porém, logo em seguida do ato de educação, alguém abre a bolsa e se põe a procurar coisas, ou coloca o fone de ouvido e baixinho começa a catarolar ou fica parado de frente pra porta do elevador pra sair primeiro e não falar tchau. Muito de vez em quando alguém puxa um assunto: “quente hoje, não?”. Eu sempre procuro dar um sorrisinho pra quebrar o gelo, mas nem sempre sou bem interpretada…enfim.
Aqui acontecem coisas. Coisas “estranhas”. A uma semana meu tapete da porta foi “prás cucuias”. Ele era lindo, custou trinta reais e era de capacho cheio de borboletas desenhadas, com um “Bem Vindo” escrito em letras bonitas. Aliás, não só o meu, como mais outros 19 tapetes de porta foram roubados. Ou seja: temos um ladrãozinho de tapetes no prédio. Outro dia acordei cedo e sai. Olhei pra portaria e tomei um susto! Ela estava toda pintada de azul e verde, cheia de flores, com azulejos de acrílico colados na parede e o porteiro com cara de taxo sentado dentro da cabine. Até que ficou alegre. .. Mas foi tão de repente, que assustei. Acho que eu e o porteiro na verdade. Pois ele estava meio catatonico ainda….(detalhe: a portaria era bege).
Pra terminar, umas das melhores. Eu e meu namorado chegamos, e fomos abrir a janela, queria mostrar a vista pra ele. Quando abri tinha uma cueca no parapeito. E pra explicar? Imaginem… Bom, ainda bem que meu querido namorado é compreensivo, e sabe que eu moro no 16º andar de um prédio com 22 andares, e que o homem que mora no apartamento de cima tem um varalzinho improvisado bem em cima da minha janela.
É por essas e outras que eu digo: morar sozinha além de ser uma loucura, é um processo de aprendizado contínuo e ininterrupto. Você tem que saber conviver com pessoas que você não conhece, tem que respeitar as regras sem ter participado das decisões, tem que saber até onde vai seu espaço e onde começa o do outro, tem que falar baixo depois das 10, tem que pagar as contas direitinho, tem que lembrar de comprar papel higiênico, “tem que” um monte de coisas!!!
E olha, apesar da ficha ter caido só agora, e ver que não tem mais “a mamãe”. Digo que “virar gente grande” é a experiência mais desafiadora que está acontecendo comigo. E eu estou muito feliz de estar passando por ela!
